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Ontologicamente Desraigados

Seres flutuantes em cavernas obscuras descobrem o sentido do nada. Presenciam veleidades volitivas, desconexas conspirações entre a humanidade e o cosmo. Reviram-se entre os escombros cerebrais e o declínio humano, como pútridos seres que insistem em viver em suas lúgubres cavernas, cômodos ataúdes. Selvas petrificadas, monstros velozes, hábitos artificiais, corpos moldados e pré-determinados. Matam-se, gozam sadicamente, sensualizam o fracasso e a submissão, no topo de suas violentas relações. Aspiram ao nada, se realizam na ambição, corrompem os ciclos, impõem facciosos dogmas. Pássaros metálicos, ondas cibernéticas, sexos virtuais, vidas digitalizadas, semiótica filológica contemporânea. Felicidades fétidas, num presente sem futuro, perdidos, desolados, inconsolados em suas misérias. Seres de fome antropofágica insaciável, de doenças inumeráveis e lamentações indignas, arrancam da pele o combustível miserável que impulsiona a máquina moderna. Suas cavernas são propriedades tecnolo...

Aos que ousam criar

Sentir o mundo e ousar criar. Por para fora a dimensão imaginativa submetendo-a aos limites da realidade. Um gesto, no mais, um ato pertinente sem qualquer necessidade presente, talvez um impulso, uma intuição sensível, que concerne aos modos de viver e se expressar. Sem características elevadas e/ou hegemônicas, mas, contravenções, formas indiferentes às padronizações e de maneira alguma comum. Rompendo normas, invertendo afirmações, desconstruindo verdades, posturas, relações, sentimentos etc. Um querer dizer basta as ilusões impostas!!!

Confissões de um solitário vagabundo

Hoje acordei com as vísceras para fora, “Ontem devo ter bebido ou comido algo que me fez muito mal”. A ressaca é um sinal de que estamos vivos e de que a vida e tão insuportável quanto. Um filho da puta chamado Bukowski dizia que A alma de um homem está profundamente enraizada em seu estômago , “Velho safado, falava algumas verdades sobre a vida”. Cigarros e álcool parecem que foram feitos um para o outro, sempre quando estou bebendo sinto uma vontade incontentável de fumar. Acredito nisso e sempre ando com cigarros nos bolsos. À noite o mundo e as pessoas perdem suas vergonhas e todos saem às ruas para se envolverem, “Nada particular, mas na noite tudo é permitido”. Gosto de sair e beber, conversar? Só se for frivolidades, pois de que me vale ser sério quando estou bêbado? Existe certa necessidade em se entorpecer, do contrário, estaríamos todos mortos. O tédio mata, as frustrações enlouquecem, família, carro, piscina de plástico, casamento, bichos de estimação, escova de dente,...

Parábola do velho solitário

Certo dia um velho acordou e se viu num quarto vazio. O único objeto que se via era um espelho velho pendurado na parede. Nada de móveis, livros, roupas, nada, e ele, o velho, se encontrava deitado no chão olhando ao redor de si mesmo. Atônito resolveu se levantar e se dirigiu direto ao espelho. Ao se aproximar se deparou com um rosto familiar, “Este sou eu”, afirmou, como uma suposta sensação de indiferença. Via o quanto o tempo foi cruel com ele, e lembrando dos tempos de infância se surpreendeu em ver no espelho um sorriso refletido. Voltando a sua situação peculiar, percebeu que o quarto também não possuía janelas nem porta, apenas um pequeno buraco no teto no qual a luz invadia iluminando aquele pequeno espaço, isso lhe deu a impressão de estar sufocado e o ambiente aos poucos foi se tornando insuportável. Agoniado, minuciosamente analisava cada canto do quarto, mas, logo percebeu que tal tarefa era inútil, e que realmente estava preso e sua única companhia era aquele espelho ...

Esboço sobre a felicidade

Os homens confundem os meios com o fim. Castram-se numa corrida estúpida pelo dinheiro almejando serem felizes. Confundem os meios para obter este fim com o próprio fim. Desprovidos de consciência se atolam até o pescoço nas areias movediças do capitalismo, como são cruéis consigo mesmos. A felicidade só se sente instantaneamente, não é condição e sim instante que se desfaz submetido na sucessão do tempo. Com garras e unhas agarro minha felicidade, mas logo ela não me serve mais, me entedia, perde seu valor, ou melhor, deixa de proporcionar prazer. O homem mata para achar o caminho que assegure sua felicidade. Não apenas toma essa atitude, porém essa é a mais preocupante. O que realmente queria dizer aquele cantor ao cantar que “a felicidade é uma arma quente”? Desde épocas passadas logo após a tentativa de definirmos tal sensação, definição ridícula, que a felicidade ocupa os homens. Principio moderador ético, instigação de práticas hedonistas, assim como, criadora de escolas, a ...

Paixão insepulta

Ao partir deixaste comigo o desengano. Foi dessa forma que senti o peso da nossa relação. Todos os dias quando saio para trabalhar, o mundo e as coisas perdem sua intensidade, mergulho no sonho do cotidiano e me perco nas inconsciências das relações humanas. Ao fim do dia, quando o sol mergulha no horizonte, minha lucidez retorna gradativamente, uma espécie de apercepção sobre a sua falta. Tua ausência me causa certas sensações, que de maneira singular mexe com meu espírito, és incontrolável e estou perdido sem qualquer domínio. Nenhuma palavra exprime esta sensação, não existe nada que a submeta ao comum, cada qual sente do seu modo. Mas, foste tu quem me lançaste nesta realidade, neste vazio sentimental. Uma paixão incompreendida? Talvez. Acredito nessa paixão mal dita, sem compreensão alguma, “ Maldita sois vós! ” Insulto você em pensamentos, mas não te culpo jamais, porém te informo sem ressentimentos. Foste embora e aqui estou como um cadáver insepulto.

Inspiração acerca da fé religiosa

Ó fé tão impotente, Ó delírios sanguinários! Faz da carne algo baixo e sujo E da alma produto extraterreno Confunde com palavras a simplicidade da vida. Tem por base o medo, sim o medo que encravaste no deserto da natureza humana, Onde a solidão assusta e deixa de ser uma dádiva. Tenho por ti, fé inútil, total aversão Se hoje te dou esse privilégio de sujeito gramatical É porque tenho um íntimo desejo em te mostrar O quanto és desimportante Adjetivos fatais Sem vida, és cadafalso das vontades Impotência no seu sentido mais pleno De quem deseja o inalcançável, o irrealizável E se resigna no fracasso.