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Confissões de um solitário vagabundo II

Noite fria e chuvosa nessa cidade estúpida, se já não bastasse o tédio de estar em casa, não há nenhuma bebida, nem mesmo cigarros, nem ao menos um corpo fácil e barato, para um gozo instantâneo seguido de uma repulsa egoísta e necessária. Desejo a violência de uma vida lançada ao risco, intensa, perdida e só minha. Se eu tivesse ao menos uma bebida que me deixasse alto e iludido, é estranho viver de cara nesse mundo. Toda a indiferença preenche meu corpo, certo horror em ser homem, me faz recordar aquele cínico grego “Diógenes de Sínope”, e sua repugnância à civilidade, a corrupta natureza humana que engendra de forma incessante desigualdades. E essa chuva não para, há três dias que ela assola minhas pretensões, premedito e acabo desistindo. Hoje até meus livros, meus únicos e verdadeiros amigos, não me excitam, eu cansei de discursos, de descrições existenciais e de verdades relativas. Mais um dia que se esvai pelo tempo, e propenso estou a desistir de tentar, de buscar ocupar ou...

Porque falas sobre o amor?

Tudo no amor.....este sentimento mal compreendido, faz ,ou melhor, brinca com as pessoas sem respeito algum. “Mas em que sentido?” Ele é desrespeitoso, não se submete a fragilidade alguma. “Como estas sendo estúpido!” Num sei...vivi talvez, isto seja o mais importante. Percebi o quanto ainda sou ingênuo, ou seria inexperiente? “Você fala como se o amor fosse algo assim tão real.” Deixemos os substantivos de lado, esse sentimento é voraz, na maioria das vezes é dilacerador, mas confesso novamente que vivi, e ainda estou vivendo tudo o quanto ele me impõe. “Você não passa de um idealista mesquinho”, creio que sim em determinados momentos acredito em minhas paixões, prefiro me ferir com todas elas a me resignar com a solidão. “Há num acredito que estas a dizer isto”, somos benevolentes você não acha? Quando tratamos de sermos felizes? “Não, não acredito nisto, tudo é tão efêmero, vazio, tudo passa quando o desejo não é mais o mesmo do inicio” Prefiro ser usado, prefiro servir como objeto....
Desejar o impossível Como uma criança inquieta Num belo ato ingênuo Querer por querer O impossível, o incomum, um incerto desejo. Desejar por não ter Paz, consigo mesmo Ter o que não podes possuir Para sempre, Apenas sente O que não podes possuir, Mas, apenas desejar para si O que é impossível.

Desabafando por qualquer coisa....

Nada de extraordinário acontece, como sempre a vida se fecha para meus sonhos, ou seria o inverso? Meus sonhos não passam de fantasias irrealizáveis, onde estupidamente me lanço de maneira enfadonha em querer alcançá-los. Ultimamente estou sobrevivendo das mesmices, largado num mundo avesso as minhas atitudes, meus anseios, minhas ilusões. À noite não me atrai mais como outras épocas, às vezes finjo necessidade de companhia, a solidão também entedia, mas logo desisto e volto para meu casulo familiar como um bicho assustado. Tomei aquele gim e as coisas pioraram, recordei das coisas que não possuo mais, da adolescência inconseqüente, como tudo era perfeito, pois, a fortuna, essa deusa cruel e cobiçada, ditava as regras. A juventude vai aos poucos sendo sepultada e o que me espera posteriormente confirma todas minhas desilusões. As velhas correntes ainda me prendem e toda ação torna-se impotente, quando o costume, a repetição de hábitos, se configurou em desejo, em verdade, um vício de...

Dos que desesperam

O caminho para o desespero é inevitável, tudo na vida torna-se cruel, numa ótica excessivamente humana, seremos sempre seres desolados, estrangeiros de nós mesmos, cada qual inconscientemente perdido de si, sem esperança, crença, desiludido. Como que necessariamente desesperados por deixarmos de ser, deixarmos de crer, ou ainda, de tentarmos almejar o posterior, assim somos, indefinidos por condição, ásperos por caráter, desprendidos de essência, inconciliáveis com a natureza. Persona trágica, a vida humana é fictícia, assim creio eu, somos inventados, pré-moldados, irreais até certo ponto quando afirmamos o que somos. Não é novidade acreditar dessa forma, porém, se configura certa impossibilidade não refletir sobre determinadas hipóteses. Há um desespero íntimo à minha natureza. Não aquele Kierkergaardiano, do qual traços de resignação religiosa me causam ojeriza, mas aquele descrente ativo, isso mesmo, paradoxalmente ativo, como reflexo ou extensão de minha consciência, perante a...

Logicamente que deus não existe (recordações lógicas)

Se a palavra realmente diz algo sobre os fatos existentes, numa suscetível concepção lógica em que as coisas nomeadas adquirem realidade, proximidade entre o discurso e o objeto, numa certa medida existem proposições que podem ser tomadas como verdadeiras. Aos que possuem amor à ciência das formas do pensamento, os teoremas, axiomas, são frutos desta paixão, retidão libidinosa, pura e verídica. Faço desse discurso sinóptico e tendenciosamente metafórico, preparação para uma verdade com base nos fundamentos lógicos e, por assim ser, irrefutável. “ Se deus quisesse evitar o mal, mas fosse incapaz de consegui-lo, seria impotente; se fosse capaz de evitar o mal, mas não quisesse fazê-lo, seria malevolente. O mal só pode existir, se deus não puder ou não quiser impedi-lo. O mal existe. Se deus existe, não é impotente nem malevolente. Portanto, deus não existe ”. Recordações sobre as aulas de lógica, cretino padre que emitiu tais palavras (verdades).

Assim falou o hiperbólico EU

Meia garrafa de vodka, ainda tudo continua no mesmo lugar... Embriagado? Hum... Com meia garrafa e com essas idéias na cabeça isso parece pouco, não costumo ficar bêbado assim tão rapidamente, acredito que sou forte suficiente, ou melhor, até certo ponto, pois ficar bêbado requer tempo. Luzes, ruas, solidão, à noite e suas características tão peculiares. Lembrei do romance que estava lendo e que se encontrava esquecido entre minhas quinquilharias... Roupas, outros livros talvez também esquecidos. Na maioria das vezes começo a ler um determinado livro se ele, ou ainda, se eu não me envolver com aquelas palavras, sentir o conjunto das frases e seu significado, tudo perde seu valor, me volto à violência cotidiana, o raio fumegante dos instantes consecutivos do mundo humano estúpido. Minhas relações deixaram de ser inocentes, se é que isso foi possível em algum momento, hoje vivo de estratégias num jogo macabro onde quem sair da linha rapidamente é esmagado. As pessoas no seu íntimo ...