Pular para o conteúdo principal

Postagens

Distopia e violência: televisores de LED e uma visão do inferno!

Deitado de bruços concentrado olhando o teto da sala de estar. Seu ânimo afetado por viver num país escroto. Uma bota gasta na cara da juventude, uma tradição oligárquica viciada por poder, lançando mão de estratégias tecnológicas fetichistas, aparência distópica, uma realidade plástica e cinzenta. Deitado naquele sofá nada parecia lhe devolver o viço da existência. Sem gozo, gargalhadas incontroláveis histéricas e ensurdecedoras, zuniam em sua cabeça. Estava enlouquecendo? Como ele desejaria enlouquecer, naquele momento, de súbito, num acesso de fúria arrancar, com uma mordida, a orelha de um militar. De um professor, aula de metafisica, aquilo não fazia mais sentido. De um pai de família, dívidas, fraldas cheias de merda, e a esperança dilacerada. O mundo estava hostil, aquele país era o pior lugar de todos. Não era um regime totalitário, modelos retrógrados, violência institucionalizada, monopólio dela e adesão popular a ferro fogo , coturnos e balas de fuzil. Era através de uma...

Foi um olhar, uma cerveja...

Foi um olhar, uma companhia para um gole de cerveja, poucas palavras, mas uma aproximação espontânea e inesquecível. Guardei aquela imagem na memória, sentia uma espécie de sensação atraente, algo naquela garota me atraia, eu queria conhecê-la. Tinha receio de falar alguma besteira, sempre que a via não sabia o que dizer, me aproximava e lhe oferecia algo para beber. Ela nunca recusava e isso me deixava maluco, doido, eu queria beijar aquela boca, seu batom vermelho. Recordo que estávamos numa mesma festa, numa cidade no interior da Paraíba, eu a vi e fui em sua direção. Ela estava tomando cerveja, me ofereceu um gole, não resisti, ela pegou na minha mão e me puxou para dançar. Eu nunca arrisquei a fazer algo do tipo, ela me embalava, conduzia nossos passos e eu me deixei levar, sentia o seu cheiro, agarrei seu corpo contra o meu e quando a música acabou, nos despedimos. Fiquei com sua imagem na cabeça, loira, boca vermelha e o cheiro de cerveja. Sai daquela cidade tão bêbado que q...
Aceito o mote. .. gozoso mistério em meu peito, arde e impulsa o desejo. Me perco, me destrambelho, acabo cedendo pois é inútil a fuga medida. Não pode a razão se impor, esse sentir faz sua própria lei. Sem muito rodeios, é do Eros que falo. Do monstro que Augusto anuncia. A voz dos sentidos, que na calada da noite me espreita com a arma do gozo, com voz de menina, com choro de criança. A ansiedade dói, a cabeça alucina, o ventre arde. Pouco vivi, percebi. E o querer é maior. Lua cheia que clareia a escuridão da solidão. aceito a pecha, desatino. .. indo.
Solidão em versos etéreos, um fim em cada passo, ato. gritos num aconchego multifacetado, gestos embriagados, constato outras solidões por lados. cada qual com seu medo, credo infame, luta constante. e eu piegas e por vezes romântico, ainda me espanto, com paixões repentinas. doce paladar, olhares que se perdem em distância, na loucura dos dissabores, um vinho em grande taça, rubro, amargo, lábio marcado. e eu a recordar a frase e rima maldita "o beijo amigo é a véspera do escarro". Me calo.

O Amigo Americano - Wim Wenders

Sem perspectiva, escolhas, um deserdado da sorte anda a ganhar dinheiro falsificando quadros de arte vendendo em leilões. O outro desanimado, descobre que cada dia que se passa lhe torna precioso, uma doença incurável assalta sua sorte. Tendo que viver com a moléstia deixa de se dedicar ao seu trabalho de restaurador de quadros, ganhando a vida como emoldurador. Recebe uma proposta para matar alguém, proposta irrecusável, pois próximo da morte pensa em deixar algo pra esposa e o filho pequeno. Ambos se encontram numa empreitada macabra em troca do dinheiro. Dennis Hopper, o factótum, para pagar uma dívida está envolvido com a proposta milionária. Junto com o doente se envolvem em assassinatos, mafiosos são atiçados e o enredo torna-se mais dramático. Doses de humor e suspense completam a trama, Wim Wenderes em mais um filme genial. Excelente película, deixo o meu registro do mês de julho de 2016. Dinheiro, escolhas, mortes, fusca e dilemas existenciais.  

DREAMS - Akira Kurosawa

Acabo de assistir um belíssimo filme, de Akira Kurosawa, intitulado Dreams. Não sou leitor assíduo de crítica de cinema, nem de literatura especifica sobre cinema. Mas depois de ter assistido este filme, não pude deixar de escrever algumas sensações, pensamentos, seja lá o quê mais. Sem recorrer a spoiler’s , e muito menos recorrer a discursos sofisticados sobre essa obra do diretor Akira, deixo uma interpretação particular sobre o que ainda estou sentindo. O filme é dividido em capítulos, cada qual referente a um sonho. Sonhos esses que nos leva a refletir sobre inúmeras questões, sobre a vida, sobre modos de viver, é um filme demasiado ontológico. De uma sensibilidade gigantesca, rico em metáforas, crítico e rigoroso acerca do modo atual da vida humana no planeta, este filme me trouxe um esclarecimento necessário para uma possível interpretação da vida, da realidade por demais complexa que é o existir. Lindo filme, me falta estilo e palavra para querer descrever empolgante filme. ...

As fogueiras ardem lá fora

As fogueiras ardem lá fora. É noite de São João, mas nada disso envolve o meus sentimentos, meu desejo maior é ficar em casa. Uma boa companhia não se encontra fácil e eu cansei de errar. Um homem solitário não suporta essas coisas, ele esquece que seu mundinho, suas frustrações não passam de peso leve. A dor do mundo é outra, a vida será sempre essa incógnita massacrante. Bebida e uma televisão fora do ar, nem os programas de tv desfazem esse tédio. Fogos de artificio lá fora não são mais tão empolgantes como na infância. Deveria me lançar em alguma fogueira lá fora, deixar queimar a carne numa catarse junina, um paiol de sentimentos intragáveis. Melancolia não deixa de ser cafona, ninguém tem mais saco pra esse tipo. Sujeito confuso e indeciso, copo gelado de Coca-Cola e um resto de macarrão azedo na geladeira. Não tenho sono, algo me perturba, não sei bem ao certo o que seja. Não tem nada haver com amores, amores esgotam qualquer homem. Aprendemos um pouco sobre, eles fazem falta, ...